Dos amores grandes
Quando você diz que a ama mais que o universo; que daria até mesmo a lua por ela ou que não pode viver um segundo distante, na verdade fala de grandezas tão subjetivas e fabulosas que sequer seriam solicitadas dado o nível de absurdo.
O verdadeiro amor declara, ainda que com algum pesar:
- Amo-te a ponto de lhe oferecer sincera atenção durante o jogo de quarta;
- De sair do cobertor e pôr o lixo pra fora nesse frio de junho;
- De desafiar a gravidade levantando meu corpo do sofá e pegando o controle remoto.
Esse amor é grande de fato, porque além da galáxia, desafia o nosso conforto - uma força assustadora.
Sobre parar e ouvir
Pode acontecer de um diálogo inesperado, de repente cruzar sua rotina. Normalmente quando isso acontece, meio que mecanicamente a gente começa a executar uma série de seqüências neurológicas a fim de evitá-lo, “sair pela tangente”. Essa é uma alternativa; a outra é ouvir.
Todo início de diálogo passa por testes de relógio, paciência e desculpas, e há diversos critérios para escolher ou não um papo, mas respeite quem conversa com brilho nos olhos, seja quem for. Pra mim esse é um dos sinais de que possivelmente essa conversa pode marcar profundamente sua construção.
Pode acontecer de que no decorrer do papo você sinta a necessidade de colocar algumas palavras. Fale com o coração. Se não sentir essa necessidade, não fale. Pelo menos, não verbalmente.
E então quando se menos espera, pode acontecer de você perceber que a experiência se tornou de fato especial, e se ver agradecendo por não ter saído antes. Se isso ocorrer, escute. O que vier a seguir pode reprogramar sua rota.
Amor, relacionamentos e influências sociais

É desagradável o namoro engessado, de barreiras imaginárias. Adoro conversas abertas, carinho e romantismo. Sou essencialmente romântico e nunca limitei demonstrações de afeto: cartas, poesias, presentes. Já cantei, fiz surpresas, dançamos a sós e etc.
Esse cenário de “ode ao amor”, no entanto, não é tudo.
Da agonia do convívio
Tenho um sério problema com janelas. Não, não se trata de uma nova fobia social. As janelas a que me refiro são aquelas dos sistemas operacionais, dos softwares que usamos habitualmente no computador.
Conheço pessoas que tem quase que uma relação afetiva com o micro. Não chego a esse ponto, mas gosto de configurar um fundo de tela harmonioso que estimule a produtividade, poucos ícones na área de trabalho e janelas em tamanho adequado.
Acontece que meu micro é utilizado pelos membros da família e vez por outra encontro, dentre outras coisas, alguns arquivos (geralmente imagens da internet) soltos no desktop e o que mais me incomoda: a janela do internet messenger completamente maximizada no meu monitor de 19”. Isso é recorrente.
Pra você entender melhor, pense na situação hipotética de um quadro que você arruma na parede e que sempre aparece torto no dia seguinte. Captou? Isso têm me irritado tanto ultimamente que resolvi analisar o fenômeno.