Felipe Calegario

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Amor, relacionamentos e influências sociais

"Amor, relacionamentos e influências sociais"

É desagradável o namoro engessado, de barreiras imaginárias. Adoro conversas abertas, carinho e romantismo. Sou essencialmente romântico e nunca limitei demonstrações de afeto: cartas, poesias, presentes. Já cantei, fiz surpresas, dançamos a sós e etc.

Esse cenário de “ode ao amor”, no entanto, não é tudo.Você consegue decifrar o amor? Eu também não. Obviamente que a ciência vai relacionar os estímulos sensoriais e psicológicos, mostrar um estudo de fenômenos e mapear o juízo (ou a falta dele) do indivíduo, mas na medida em que não sou um rato de laboratório, meu olhar sobre o que sinto é único e não pode ser plenamente compreendido por quem quer que seja. Então pra quem sente, o amor é intangível.

Já quando se trata de relacionamento amoroso a coisa muda. Isso porque não se pode esquecer que relacionamentos acontecem dentro de uma sociedade - predominantemente cristã, no nosso caso, ainda que extremamente plural. Namoro, noivado e casamento são, nesse campo, instituições que refletem diretamente os conceitos dessa sociedade.

E, mesmo que você e a pessoa com quem se relaciona decidam viver em uma sociedade alternativa, ainda assim, essa relação vai necessitar de meios reguladores; de um lugar comum que prevaleça sobre a vontade individual. Isso porque, sentimentos, ainda que intangíveis, precisam de uma estrutura institucional, racional e previsível para transpor a esfera platônica. Mesmo relacionamentos alternativos, como os casuais ou “abertos” necessitam de regras. Ainda que a falta de regra seja a regra. Entendeu? :-S

Pessoas desejam viver um grande amor, mas sem deixar de viver em sociedade. Um relacionamento afetivo requer honestidade, lucidez, paciência, renúncia e uma baita dose de coragem pra superar diferenças ideológicas e cargas (culturais e morais) de mundos distintos. Nesse contexto, não é raro que alguém rejeite um grande amor que vive em seu “mundinho” próprio e escolha se unir a um par que saiba compartilhar a vida com decência, ainda que essa decisão cause alguma dor e leve algum tempo de superação.

Considere o sexo como um exemplo prático. Alguns decidem iniciar a vida sexual dentro de uma relação sólida (que geralmente se traduz em casamento), outros optam por uma dinâmica mais casual. E ainda há aqueles que levam o “casual” bastante a sério. Honestamente, não há um cenário real de relacionamento onde essa diferença conviva pacificamente. Isso pra citar um fator evidente. Casais se separam por menos.

Viver uma relação plena requer, ao menos, a convergência de áreas essenciais dos indivíduos e honestidade quanto a visão de cada um sobre o próprio envolvimento.

Não significa, entretanto, que se relacionar por conveniência social seja a saída. Suportar o peso do tempo, diferenças diversas, influência de terceiros e ainda ter que lidar com os próprios conflitos internos é penoso e vazio sem amor.

Amar é encontrar abrigo, sentido e plenitude.

Notas:

Um texto interessante que brinca com essa coisa de “papel social” é “O Nariz” de Luís Fernando Veríssimo.

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