O que vai faltar à Geração Y
Uma das tendências do mundo globalizado, e que não é exceção no Brasil, é o desapego das tarefas manuais, gradativamente substituídas por processos automatizados. Não é novidade pra ninguém: o tempo tornou-se escasso. Então, o que era feito de modo quase que artesanal, acaba sendo acelerado ao máximo.
Nossos hábitos, mesmo os mais simples, refletem esse conceito. Vivemos do pré-cozido, do pré-montado, do produto final.
Para uma parcela considerável da população, já virou luxo sentar-se à mesa e almoçar tranquilamente, ou fazer a própria comida por exemplo. Você já pensou nisso? O homem pós-moderno não faz a própria comida.
Nossa forma de se relacionar também muda. Não dá tempo de conversar pessoalmente, então temos as redes sociais e os comunicadores instantâneos - onde se fica invisível quando é comodo. E com isso diminui-se o contato visual, as expressões, o toque, a voz e tudo o que não pode ser substituído por um conjunto de códigos.
Da agonia do convívio
Tenho um sério problema com janelas. Não, não se trata de uma nova fobia social. As janelas a que me refiro são aquelas dos sistemas operacionais, dos softwares que usamos habitualmente no computador.
Conheço pessoas que tem quase que uma relação afetiva com o micro. Não chego a esse ponto, mas gosto de configurar um fundo de tela harmonioso que estimule a produtividade, poucos ícones na área de trabalho e janelas em tamanho adequado.
Acontece que meu micro é utilizado pelos membros da família e vez por outra encontro, dentre outras coisas, alguns arquivos (geralmente imagens da internet) soltos no desktop e o que mais me incomoda: a janela do internet messenger completamente maximizada no meu monitor de 19”. Isso é recorrente.
Pra você entender melhor, pense na situação hipotética de um quadro que você arruma na parede e que sempre aparece torto no dia seguinte. Captou? Isso têm me irritado tanto ultimamente que resolvi analisar o fenômeno.
Receita de herói
Tome-se um homem feito de nada
Como nós em tamanho natural
Embeba-se-lhe a carne
Lentamente
De uma certeza aguda, irracional
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois perto do fim
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim
Serve-se morto.
(Reinaldo Ferreira em “Portos de Passagem” - João Wanderley Geraldi, São Paulo: Martins Fontes, 1991)
Pro Dia Nascer Feliz - Longa-metragem

“Pro Dia Nascer Feliz” é o segundo longa-metragem do diretor João Jardim, diretor do cultuado documentário “Janela da Alma” que, em 2002, bateu recordes de público no gênero. […]”
(via Globo Filmes - GF FILME - Pro Dia Nascer Feliz)
Meu comentário
O longa traz à tona um dos temas que precisam ser urgentemente discutidos: o impacto e a relevância da educação através da instituição escola na sociedade.
A disparidade socio-econômica entre as escolas é impressionante. Se em Duque de Caxias (Baixada Fluminense do Rio) o problema é o desinteresse e a influência do tráfico; em zona nobre de São Paulo, os alunos vivem conflitos relacionados à carga intensa de estudo e o nível elevado da instituição. Outros problemas, entretanto, são comuns aos diversos cenários como a falta de apoio e estabilidade familiar.
Apesar da idade, o longa tem importância no cenário da educação brasileira. Pessoalmente, o fato de Duque de Caxias (minha cidade de nascimento) ter sido documentada e fielmente exposta aumentaram ainda mais meu interesse.
Outras escolas de São Paulo e do interior do Maranhão são exibidas.